
O reconhecimento do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco marca uma conquista histórica para Minas Gerais — o primeiro bem natural do estado a alcançar essa distinção internacional. A comunidade científica teve papel fundamental nesse processo, e o Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGEO) da Unimontes contribuiu de forma decisiva, por meio de estudos que fortalecem a compreensão da relação entre o parque e as comunidades do seu entorno.
A dissertação “O sertão virou parque: relação do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu-MG e comunidade do entorno”, defendida pela mestra Ranieri Cardoso Marinho Rocha, sob orientação do professor Ricardo Henrique Palhares e coorientação de Cássio Alexandre da Silva, foi um dos marcos desse trabalho. A pesquisa apresenta evidências científicas sobre a convivência entre o território protegido e as populações locais, fortalecendo argumentos de conservação e valorização cultural e ambiental.
O estudo foi parte de um projeto conjunto entre a Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES) e a Empresa Mineira de Comunicação (EMC), que resultou na produção de dois episódios especiais do programa Minas Faz Ciência na Estrada. O episódio com as Ciências Biológicas abordou os impactos ambientais e a importância das veredas da região. Já o segundo, produzido com o PPGEO, destacou a relação entre o parque e as comunidades vizinhas.
Nos dias 21 e 22 de maio, a equipe esteve no território do Fabião para realizar uma devolutiva da pesquisa diretamente às lideranças comunitárias, reforçando o compromisso ético e social da universidade com os sujeitos pesquisados.
Para o professor Ricardo Palhares, o trabalho da Unimontes mostra o papel que a ciência pode cumprir em grandes transformações sociais e ambientais:
“A pesquisa científica foi capaz de qualificar o debate, dar voz às comunidades e ajudar a consolidar o Peruaçu como patrimônio não apenas natural, mas também humano e cultural. É uma conquista da biodiversidade e das pessoas que vivem nesse território.”
A dissertação foi defendida no dia 21 de fevereiro de 2025, e contou com banca composta pelos professores Luis Ricardo Fernandes da Costa (UNIMONTES) e Hebert Canela Salgado (UFVJM).
O reconhecimento da Unesco não apenas consagra a beleza e a importância ambiental do Peruaçu, mas também legitima o esforço de pesquisadores, professores, estudantes e comunidades que atuam há décadas pela preservação e valorização do território.